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Editorial: O silêncio que vem de lá

Foto: reprodução

A Pastoral Carcerária do Ceará caminha lado a lado com o oprimido encarcerado, sem importar-se se este é ou não opressor. Esse não foi, afinal, o ensinamento deixado por nosso amado mestre Jesus Cristo. Em Editorial, refletimos sobre o ensurdecedor silêncio que esses últimos meses domina o cenário das prisões cearenses.


“E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério; E, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando. E na lei nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes? Isto diziam eles, tentando-o, para que tivessem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra. E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se, e disse-lhes: Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela.” João 8:1-7


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Se o atordoador silêncio que hoje emana de todos os que possuem, direta ou indiretamente, relação de interesse sobre o sistema penal do Ceará, trouxesse o sentimento real de segurança e justiça, talvez já fosse mesmo o tempo de se comemorar. Mas não vislumbramos justiça no momento.


Que silêncio é esse que suscita mais dúvidas do que certezas? A mudez tomou conta de autoridades, servidores, instituições fiscais e, o que mais causa espanto: o “grito das prisões” silenciou.


Será que tudo que está acontecendo nos cárceres é aceitável pela simples argumentação de que “é uma situação que se impõe?” Reflitamos à luz da lei.


O que de fato originou esse silêncio? O que estará de fato acontecendo nas carceragens? Teria o Estado do Ceará encontrado a fórmula mágica para o controle das prisões e, o óbvio desse segredo era apenas mais coerção sobre os corpos? Inacreditável.


Os questionamentos que se podem formular não cabem nesse breve editorial. O fato é que o silêncio que vem de lá causa não só espanto, mas também apreensão. Tensão permanente.


A história dos ergástulos nos apresenta outro olhar sobre esse cenário. A origem dessa mudez não está exclusivamente na força coercitiva empregada pela segurança prisional, embora ainda não se possa precisar qual ou quais outras causas o seriam. Um mistério “que se impõe”.


Por mais otimista que se possa ser, qualquer euforia comemorativa toma contornos de prematuridade, notadamente pelo fato de que cerca de trinta mil vozes simplesmente calaram passivamente. Um grito inaudível.


O ceticismo será companheiro presente até que se possa observar claras ações de justiça caminhando paralelas às ações de segurança. Até lá, que Deus permaneça no controle de tudo!

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